sábado, 30 de março de 2013

Me tire uma dúvida

- Eu não me espantaria nem um pouco se mais uma vez fosse você a protagonista do que quer que seja que eu queira escrever. É a falta de cansaço.
- De mim?
- Sim, de você, não me canso nem por um ouro branco. Nem por uma tequila. Por fim estou aqui, a seu dispor, meu amor.
- Uau! Disposto a aprender a fazer um tsucarrara só pra me ver deslumbrada com isso?
- Disposto a te fazer sorrir pelo menos uma vez amanhã.
- Ah, como é brega o seu amor.
- Viu? Eu não disse? -eu talvez não- mas você disse, agora mesmo, não disse? É amor, não é? Eu sabia que era.
- Hã? O que você sente?
- Que sem você é muitas vezes mais chato viver.
- Brega de novo.
- Que tal ressaca?
- Ressaca?
- Você perguntou o que eu to sentindo e eu digo que estou sentindo uma ressaca insuportável.
- Ah tá. Ressaca é melhor. É mais "contemporâneo" e menos brega, mas ainda é brega.
- O que?
- O teu amor.
- Ah... você pode dizer mais vez?
- O que?
- Que eu te amo.

terça-feira, 5 de março de 2013

Te achei mais uma vez

Sobrou só um espacinho, mínimo, insignificante, pra você ir embora, cheio de armadilhas no caminho. Não sobraria nada. Saí em um tosco cavalo branco só pra te impressionar, caí desse cavalo umas quinhentas vezes e você continuou olhando fixo, abrindo crateras em cada parte do meu corpo que eu seu olhar ousava ficar... E eu sangrava, sangro até ficar branco, pálido, implorando mais sangue só pra sangrar mais um pouco, só pra respirar ofegante, pra me faltar elogios saltando a boca. Aquele menino que já teve ânsia de vômito com cheiro de cigarro hoje, apesar de não ser, se chama de homem na sua frente, se pões de joelhos e lhe promete o mundo, um restaurante móvel, ferramentas de confeiteiro, um filhote de bicho preguiça, ir bem longe, tão longe, tão alto, pular no buraco mais sem fundo que a gente encontrar por aí e ir flutuando, calmos, até, quem sabe, chegar no fundo. Estou e estarei aqui. Em paz e contigo, meu amor.