terça-feira, 26 de novembro de 2013

Meu mar

Eu já tinha previsto, tanto beijo derramado, tanto cheiro que se marca, tanta história pra contar. Em meio a sua falta de fala e o descabelo achei meu colo, macio, mordível, o colo perfeito Só me desculpe chorar tanto sobre ele, isso passa, ta passando, obrigado. 
Vejo tão próximo as paredes pra sendo pintadas, você chegando tarde e nós indo pra cama pra ver qual pé ta mais gelado. Se subi a ladeira, foi pra ver do alto tudo acontecendo, desço e subo quantas vezes forem preciso e te carrego a cada subida. A coisa flui, evolui, cria cor e não importa quantas bifurcações terão daqui até o fim do caminho, escolho no unidunitê e não ligo, afinal, todo túnel tem uma luz no fundo, e tu é lanterna minha nesse túnel.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Eu penso tanto nela

Eu penso tanto nela
olhos com remela
peito na janela
mais uma stella

Eu penso tanto nela
chocolate na panela
jantar a luz de vela
cabelo quando se rebela

Eu penso tanto nela
branca e magrela
se quiser é tagarela
inspiração pra Cinderela

Eu penso tanto nela
no almoço beringela
coração de sentinela
um carinho na costela
é bem mais que uma donzela
mais bonita do que aquela
dessas moças a mais bela.

domingo, 29 de setembro de 2013

Nas horas vagas, é assim


Para todos que analisam e tentam traduzir minha real resposta logo após perguntarem "tá tudo bem?", eis a verdade: não. Não é pela culpa tua nem minha, tão menos tua, pequeno, como pode já ter culpa de algo aquele que mal tem dentes, ou tem e eu não os ví crescer? Mais uma pontada. Durante a madrugada fria e embaçada, claustrofóbica em meu quarto, sei o quanto sou o culpado protagonista dessa novela, logo eu que nunca gostei muito novelas. Ver o vento passando depressa, levando o tempo, fazendo com que os dentes cresçam, que a vida passe, que o horizonte fique nítido. Já vejo coisas demais e já as via depois que não as vi se tornarem verdade. Se estás confuso imagine como anda minha cabeça, o que ela se tornou, o quão alto ela grita e que comandos ando obedecendo. A parte gostosa é o aprendizado. Quase não faz parte a parte que me torno covarde ao dizer que é ruim. Até por que não sei definir a parte ruim, a prova disso é essa minha definição medíocre, só palavras, tentando me confortar, me expor e chamar atenção a troco de uma boa noite de sono, quem sabe assim funcione. 
Passa tempo passa que de passa-tempo tu não tens nada, tudo ilusão, terão dias piores, melhores, mentirosos... Isso eu aprendi cedo, só que aprendi pela metade, alguns órgãos sabem interpretar com razão certas situações, no meu caso, só alguns. Ainda bem que a primavera chegou, devagarzinho ela vai deixar tudo mais bonito, que chova e alague tudo, antes que minhas lágrimas façam isso, chova e mate todos afogados e me deixe ser um trovador bem acompanhado rodando o mundo sobre um barco de papel, é querer demais?
Aos que se manterem por perto, não estejam por aqui com escudos na minha frente dizendo que tenho razão, já estou sendo sincero comigo, seja também e pergunte menos como eu estou me sentindo.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

De repente

Nu até o caroço. Virei geleia. Eita mulher, te achei no meio das tralhas, dos restos, dos meus restos, da minha última tentativa. Sou bom nisso. Que bagunça, mas achei. E eu só queria um deslize, sentir a temperatura subir, varrer os dedos por umas costas femininas. Podia ser qualquer uma. No momento então, podia ser qualquer uma menos você. Tava difícil de imaginar que seria meu o teu corpo, vocês eram de outro, tu estavas tomada, iludida, conformada e quase enjoada de amar. Por outro lado eu me sentia no direito de me sentir confiante e enquanto isso te comia o quanto podia com os olhos, afinal "o palhaço que é, é ladrão de mulher". Musiquinha mais besta. Não adiantava, todos o meus assaltos pareciam em vão. Não desisti, mais ou menos. Eu ainda andava expostamente armado mas acabara a munição, era só um charme. Quando me toquei eu só tinha a arma, você havia roubado todo o resto e eu nem percebi, só me toquei depois que o tempo cuidou de tudo, limpou os excessos, e lá estava eu sob as mais sinceras juras de amor da minha vida, e seu sorriso fazendo a ambientação do momento. Deixe-me aqui, observando, sendo tua marionete. Nunca me senti tão bem conduzido. Embalem os móveis! Vem coisa boa por aí.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Só râmo

Meu ponto de paz, no ponto morto, teu corpo, me pede pra ficar, pede de novo, vamos dançar meu amor, tentar dormir mais um pouco, só mais um pouquinho, eu lhe prometo o mundo  e o pego pra ti independente da altura da árvore. Eu só preciso que você fique, e fique calma também, me faça um carinho que do resto cuido eu, dos meus restos eu faço um samba e desse samba eu te levo pra casa, ascendo um cigarro e componho o samba do café da manhã de amanhã. Hoje, eu preciso de você muher.

sábado, 30 de março de 2013

Me tire uma dúvida

- Eu não me espantaria nem um pouco se mais uma vez fosse você a protagonista do que quer que seja que eu queira escrever. É a falta de cansaço.
- De mim?
- Sim, de você, não me canso nem por um ouro branco. Nem por uma tequila. Por fim estou aqui, a seu dispor, meu amor.
- Uau! Disposto a aprender a fazer um tsucarrara só pra me ver deslumbrada com isso?
- Disposto a te fazer sorrir pelo menos uma vez amanhã.
- Ah, como é brega o seu amor.
- Viu? Eu não disse? -eu talvez não- mas você disse, agora mesmo, não disse? É amor, não é? Eu sabia que era.
- Hã? O que você sente?
- Que sem você é muitas vezes mais chato viver.
- Brega de novo.
- Que tal ressaca?
- Ressaca?
- Você perguntou o que eu to sentindo e eu digo que estou sentindo uma ressaca insuportável.
- Ah tá. Ressaca é melhor. É mais "contemporâneo" e menos brega, mas ainda é brega.
- O que?
- O teu amor.
- Ah... você pode dizer mais vez?
- O que?
- Que eu te amo.

terça-feira, 5 de março de 2013

Te achei mais uma vez

Sobrou só um espacinho, mínimo, insignificante, pra você ir embora, cheio de armadilhas no caminho. Não sobraria nada. Saí em um tosco cavalo branco só pra te impressionar, caí desse cavalo umas quinhentas vezes e você continuou olhando fixo, abrindo crateras em cada parte do meu corpo que eu seu olhar ousava ficar... E eu sangrava, sangro até ficar branco, pálido, implorando mais sangue só pra sangrar mais um pouco, só pra respirar ofegante, pra me faltar elogios saltando a boca. Aquele menino que já teve ânsia de vômito com cheiro de cigarro hoje, apesar de não ser, se chama de homem na sua frente, se pões de joelhos e lhe promete o mundo, um restaurante móvel, ferramentas de confeiteiro, um filhote de bicho preguiça, ir bem longe, tão longe, tão alto, pular no buraco mais sem fundo que a gente encontrar por aí e ir flutuando, calmos, até, quem sabe, chegar no fundo. Estou e estarei aqui. Em paz e contigo, meu amor.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

É teu

Eu só peço que tenha calma comigo, que você não tenha pressa porque a minha já é grande demais. Quero whisky e maresia. Quero teu colo, teu toque, tua cara de doce me esperando correr pros seus braços de menina. Segura firme. Sente meu corpo quente, meu pé de lixa subindo e descendo, meu respirar ofegante e descompassado de fumante, meu olhar te dando um tiro na cabeça, me deixa aqui um tempo, tendo tempo e a certeza que eu te amo. Fica aqui comigo, sendo essa doença de chagas que tu é. Você se parece demais comigo. Enquanto o tempo passa eu só me desconheço mais, ou melhor, evito me conhecer. Já desisti de te entender mas também vi que até da pra viver sem te entender, e eu acho que é isso que eu quero, viver sem te entender, mas tem que ter o "te" se referindo a você, tem que ser você a minha incompreendida, te amar não, isso eu nunca quis, foi só um acidente grave que me deixou em coma, quase morrendo, mas não é de mim que estamos falando... Quanto as minhas vontades, pode deixar lá, por favor, eu cuido disso, o que eu quero eu chamo de meu. De minha. Eu to disposto a me embebedar de você, vomitar, desmaiar, e no dia seguinte não lembrar de nada, só do que foi que eu fiquei bêbado.
Em suma: desde que o samba seja mesmo samba, desejo ficar.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Se der mais um passo, eu te largo, por pura insegurança minha. Eu morro de preguiça de sofrer.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Drama

Pare tudo, e desse tudo, joga tudo pra cá que eu vejo se faço um câncer, como tenho feito com tudo. Eu corro corro corro, bato com a testa no viaduto, só pra perceber que não é só de braços fortes que se faz um homem, e mesmo se for, um simples menino não pode ter braços tão fortes assim, até pode mas eu não.
-Eu não.
Tinta vermelha pela casa toda e um veneno fedido pra complementar. Já chega! É hora de alguém cuidar de mim, trocar os tapetes por uns que sejam de veludo e falar uns cinquenta "calmas" por dia. Eu quase morro sem ar, ou do coração, ou de sede, ou de puro suicídio mesmo. Puro suicídio mesmo. É a calma, que não combina comigo mas que vem assim mesmo, pra criar problema, inchar meu câncer, roer meus ossos, e faz tudo isso com a maior calma do mundo. Ingrata! Vadia! Vai embora vai! Me deixa morrer depressa, como eu me propus a morrer, sem ninguém, com a cabeça a mil, causando sofrimento em tudo quanto é gente que eu nem me lembro o nome.
E não to com a menor paciência pra lembrar.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Amor dividido por três, às vezes quatro

E pra que se desviar, parar ou pular de um abismo? Não, não, não... Ficaremos aqui. Ficaremos contigo, Amor! Aliás, o que é o amor? Onde é que ele tá quando eu mais preciso dele? Morre amor, se fode, me arrasta contigo pro céu ou pro inferno. Me sequestra pra torre mais alta e se quiser, pode me acordar com surra de pau de mole, tu pode, tu é o amor, tu traduz o sentido da minha existência. Motivado por ti, escravizado por ti, apaixonado por ti! Seu idiota! Não! Eu não quis dizer isso não... Na verdade eu quis sim, mas eu vou mentir pra você, eu vou mentir pra você saber como é que eu me sinto.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Já daqui, da terra paradisíaca que foi vista:

Geminiana, branca azeda, linda, pele de seda, mandona, peituda, charmosa e firmeza, não nego, me apego, te quero, espero, sorriso, me atiro pro seu mundo discreto.
Ela é tão linda, não me canso, tão linda. Aqui, enfim, mesmo que ainda no raso, estou, mais uma vez, diferente, mas sem deixar de ser. E eu já sabia, eu quis, me arrisquei, pulei do precipício até aqui e caí em plumas. Não. Caí num sofá macio, mas o que importa é que estou vivo. Como se ela pudesse ser o amor de qualquer vida. Mas e eu? Eu sou só um vilão que flerta, que já podia ter te perdido várias vezes, um mero bobo da corte, louco, bandido, chorão, inconsequente e principalmente apaixonado... 
Mas nós, eu e tu, meu amor, somos escola de samba, somos um nó de escoteiro, somos o que quisermos, somos gozo, arrepio e frio na barriga, somos imprevisíveis, somos Brad Pitt e Jolie, somos velhos e até somos meio engraçadinhos.