Não nesse texto.
Agora quero falar de mim.
Dos meus princípios.
De quantas vezes roo a unha.
Da minha vaidade com meu cabelo.
Do porque estou quase sempre de preto.
Das amores que vivi, não, isso eu não vou falar não.
Das inúmeras vezes que choro sem explicação.
Do meu calor de noite e o meu frio de manhã.
Do meu amor pelo mar.
Do desejo de poder parar o tempo quando estou no palco.
Quero explicar o meu o menino, sei que não vou conseguir.
Incompreensível, prodígio, apaixonado sempre.
Não importa.
Pode ser minha mãe ou meu pai ou a namorada que eu tive por mais tempo ou até o tal Deus.
Nenhum deles me conhece como eu.
E se você acha que vai sair daqui me conhecendo...
Desista.
Mesmo.
Pode parar de ler.
Leia os textos de baixo só pra não perder a viagem.
No fim nem eu mesmo me conheço.
É bom que assim não enjoo de mim.
Fico me surpreendendo comigo mesmo a cada dia.
Nem toda surpresa é boa, não vá achando que sou um príncipe.
Eu não teria vocação pra isso e assim seria Só um príncipe.
Se eu vivesse na Idade Média provavelmente me destacaria entre os Bobos da Corte.
E seria muito feliz assim.
Sou com uma mandala do que vai criando aquela poluição de detalhes no centro.
E é nesse centro que ainda não cheguei.
Que ninguém chegou.
Será que alguém pode me ajudar?
Já me provaram, mais de uma vez, que não.
Mas não me deixem de lado, continuem tentando.
Não sei ser só, não costumo estar, apesar de estar agora.
Não vou sofrer com isso, pelo contrário.
Venho aproveitando o meu "sozinho".
Essa minha solidão nunca dura muito tempo mesmo.
Bem, vou parar de prolongar o assunto, se eu começar a falar de solidão e logo vou costurando até falar de amor e mulher.
"Vamos mudar de assunto".
Eu odeio essa frase.
Então vamos mudar de assunto.
Preciso parar de roer as unhas, a cabeça dos meus dedos são grandes e esquisitas, pelo menos Eu acho.
Eu, Eu.
Eu artista.
Sem função definida, só Artista.
Assim.
Vivendo de si.
Suando pra suar.
Taí, acho que o Teatro me conhece mais que o tal Deus.
Notou meu desprezo?
"...o tal Deus"
É que eu sou ateu.
"Óh, ele ateu".
Calma não sou nenhum anti-cristo não.
Só gosto de duvidar.
"Sou como um daqueles meninos que desmontam um despertador para saber o que é o tempo."
Por falar em Tempo, a gente nunca se deu muito bem.
Ele sempre teve inveja de mim eu acho.
Ele acha que zombo dele só porque vivo na intensidade de quem está sempre em busca de viver algo inusitado pra um dia contar aos netos.
Acho que é esse meu objetivo de vida: ter a melhor história pra contar pros netos.
Mas nem sei se quero netos, não sei se quero casar mas tudo bem né, também não sei de cabeça qual a raiz quadrada de 8547 então foda-se.
Vou falando aqui tá? Se quiser pular essa parte, pode pular, estou só distraindo o cérebro até escrever a partir dos meus impulsos.
Mas isso sei fazer bem, preciso é distrair os impulsos e pensar um pouco.
Queria uma árvore agora.
Uma sombra sobre uma grama verde e macia e um termômetro daqueles de parque marcando uns 28 graus.
Bem fresquinho.
Na verdade, que tédio seria.
Já volto, vou tomar café da manhã, alguém me empresta um isqueiro?
Pulmões alimentados.
Continuemos.
Não, não.
Vamos parar por aqui mesmo, preciso conversar com meu violão.
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