De um lado me vejo simples e aconchegado, tomando iniciativa, esperando, tornando cada segundo eterno pra, no fim, quem sabe, arrancar um elogio teu. Do outro, me vejo livre e perdido ao mesmo tempo, surpreso, bajulado, com medo, explosivo, seduzido, encontrando a posição mais agradável pra mim e prazerosa pra ti. Eu fico no meio, claro como a água, "nu até os ossos" e só farei bem a mim. Por enquanto, pois não é tão simples assim. Ao querer fazer bem a mim esqueço que não sei não me apaixonar fácil. E não me julguem, todo mundo se apaixona fácil. Apaixonar-se, que fique claro. Amor é outra coisa. E desse amor que falo pertence a menina Maria que nem tem espaço nesse conto. Se de um lado vejo a moça mais bonita e de toque doce, do outro vejo a mais esquisita e sedutora. Tudo de repente, como sempre. Onde está o chão? Acabei por chorar. Ao ficar sem chão, instintivamente aprendi a voar. Flutuar, que é pra não ir muito longe. Corro pra um dos lados mas deixo sempre migalhas no caminho e sem falar muito, com olhar de paisagem, volto com fome. E não me canso. Não me cansarei até o pão acabar, até não ter mais migalhas pra deixar no caminho e me faltar vontade de comprar mais pão.
E se as migalhas acabarem e você estiver no meio?
ResponderExcluirExistem pegadas e rastros que passarinho nenhum consegue comer.
ResponderExcluirAs pegadas e rastros dele serão os que ele encontrar, existirão, mesmo que "falsos".
ResponderExcluir